polca-lundu

Joaquim Manuel de Macedo:

“E o pior é que o gosto e a originalidade desses cantos, cuja música tinha um caráter que a fazia distinguir da música característica de todas as outras nações, têm-se ido perdendo pouco a pouco, sacrificada ao canto italiano, cuja imitação é, desde alguns anos, o pensamento dominante dos nossos compositores. As modinhas e os lundus brasileiros quase que já não existem senão na memória dos antigos; foram banidos dos salões elegantes e com todos os costumes primitivos, à semelhança das aves que, espantadas dos bosques vizinhos do litoral pelo ruído da conquista dos homens, fogem para as sombrias florestas do interior. Lá se acham proscritas, e felizmente ainda conservadas com a sua patriótica pureza no seio dos vales e no trono das montanhas, onde a população agrícola as asila em seus lares, vive com eles, alimentando a flama das recordações passadas que o estrangeirismo apagou nas cidades.

Para a música característica brasileira isso é uma verdadeira calamidade e a ópera nacional, recentemente criada, se quiser ser nacional, deve opor-se à continuação de tão grave erro, excitando os nossos novos e talentosos compositores a escreverem naquele gosto que, bem aproveitado pela arte, pode produzir obras originais e de incontestável merecimento.”

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